Aviso Legal (YMYL): O conteúdo a seguir destina-se apenas a maiores de 18 anos. O consumo excessivo de álcool é prejudicial à saúde. Se beber, não dirija. As informações nutricionais e sobre glúten baseiam-se em dados fornecidos pelo fabricante e podem sofrer alterações; consulte sempre o rótulo.
A cerveja Stella Artois não é apenas uma bebida; é um artefato histórico líquido que atravessou mais de 600 anos para chegar ao seu copo.
Diferente de muitas marcas que surgiram na era industrial, a Stella carrega o peso de uma tradição que remonta a 1366, na cidade de Leuven, Bélgica.
Mas por que essa premium lager de garrafa verde e cálice sofisticado se tornou a queridinha dos brasileiros e uma das cervejas mais vendidas do mundo?
Muitos consumidores apreciam seu amargor característico, mas desconhecem que ele provém de um dos ingredientes mais nobres da cervejaria mundial: o lúpulo Saaz.
Outros buscam o famoso pack stella no supermercado sem saber que a versão brasileira passa por rigorosos testes de qualidade na Bélgica mensalmente para garantir a fidelidade à receita original.
Neste dossiê definitivo, vamos desmontar cada aspecto dessa cerveja: da história medieval à tecnologia que permitiu a versão sem glúten, passando pelo ritual sagrado de servir e a eterna disputa com a Heineken.
A origem histórica: de 1366 aos dias de hoje
Para entender o sabor da Stella, precisamos olhar para o passado. A história começa muito antes da marca ganhar o nome que tem hoje. Tudo se inicia na cervejaria Den Hoorn (O Chifre), estabelecida em 1366 na cidade de Leuven.
O legado de Sebastian Artois
Embora a cervejaria já existisse há séculos, a virada de chave ocorreu em 1717. Foi neste ano que Sebastian Artois, um mestre cervejeiro que havia começado como aprendiz na fábrica, comprou a Den Hoorn e a renomeou para Cervejaria Artois.
Curiosamente, a cerveja “Stella” (que significa “Estrela” em latim) só nasceu oficialmente em 1926. Originalmente, ela foi lançada como uma edição especial de Natal, brilhante e dourada como uma estrela.
O sucesso foi tão estrondoso que a produção sazonal tornou-se permanente, mas a marca manteve a estrela e o chifre (símbolo da Den Hoorn) em seu logotipo até hoje.

Perfil sensorial e características técnicas
A Stella Artois é classificada tecnicamente como uma International Premium Lager (ou Pilsner, dependendo da classificação regional).
No Brasil, ela se destaca por ser uma cerveja puro malte, o que significa que não utiliza adjuntos como milho ou arroz em sua composição para baratear o custo ou suavizar o sabor.
Lúpulo Saaz: o segredo da nobreza
O grande diferencial sensorial da Stella reside na escolha do lúpulo. A receita utiliza o Lúpulo Saaz, uma variedade nobre originária da região da Boêmia (República Tcheca). Este ingrediente é responsável por:
- Aroma: Notas florais e herbais sutis, diferindo do aroma cítrico das American Lagers modernas.
- Amargor: Proporciona um final crisp (seco) e elegante, que limpa o paladar.
- Estabilidade: Ajuda na formação de uma espuma densa e cremosa.
Notas de degustação
Ao colocar a cerveja no cálice, você deve observar:
- Visual: Amarelo dourado, límpido e brilhante.
- Espuma: Branca, persistente e cremosa (se servida corretamente).
- Boca: Corpo médio-leve, carbonatação média-alta e um amargor presente, mas equilibrado pelo dulçor residual do malte.
Ingredientes e pureza: Stella é puro malte?
Sim, no mercado brasileiro, a Stella Artois é estritamente puro malte. A lista de ingredientes é curta e transparente:
- Água tratada
- Malte de cevada
- Lúpulo
Existe um mito recorrente de que “cerveja de garrafa verde tem gosto ruim”. Isso é tecnicamente chamado de light struck (ou “gosto de gambá”). O lúpulo é sensível à luz UV, e garrafas verdes filtram menos luz que as marrons.
No entanto, a Stella Artois investe pesadamente em logística e embalagens fechadas (como o pack stella de papelão) para minimizar essa exposição até a gôndola.
O ritual de 9 passos: como servir a Stella perfeita
A marca é famosa por defender que a experiência de beber começa no serviço. O “Ritual de 9 Passos” não é apenas marketing; é uma técnica para garantir a carbonatação e a temperatura ideais.
| Passo | Nome do Ritual | Ação Técnica |
|---|---|---|
| 1 | A Purificação | Lavar o cálice com água gelada e detergente neutro para remover resíduos e equilibrar a temperatura do vidro. |
| 2 | O Sacrifício | Ao abrir a torneira (chope), deixar o primeiro jato cair fora para garantir frescor. |
| 3 | A Alquimia | Segurar o cálice a 45º sem encostar no bico da torneira ou garrafa. |
| 4 | A Coroa | Endireitar o copo lentamente conforme enche para formar a espuma (colarinho). |
| 5 | A Remoção | Retirar o copo com um movimento fluido, sem fechar a torneira sobre ele. |
| 6 | A Degola | Passar a espátula a 45º sobre o topo do copo para cortar as bolhas grandes da espuma, selando o aroma. |
| 7 | O Julgamento | A espuma deve ter exatamente dois dedos (aprox. 3cm) de espessura. |
| 8 | A Limpeza | Mergulhar a base do copo em água gelada para limpar respingos externos. |
| 9 | A Entrega | Servir no porta-copos com a logo virada para o consumidor. |

Stella Artois Pure Gold e sem glúten: a ciência explica
Nos últimos anos, a marca expandiu seu portfólio com foco em saudabilidade. Surgiram a Stella Artois Sem Glúten e, mais recentemente, a Stella Pure Gold. Mas qual a diferença real?
Como é feita a remoção do glúten?
A mágica não está na troca dos ingredientes, mas no processo. A cerveja continua sendo feita com cevada (que contém glúten).
Porém, durante a fermentação, é adicionada uma enzima específica que “quebra” as proteínas do glúten em pedaços tão pequenos que o organismo não as detecta e elas não causam reação inflamatória em celíacos ou intolerantes.
O resultado final contém menos de 20ppm (partes por milhão) de glúten, o padrão internacional para ser considerada gluten-free.
Pure Gold: menos calorias
A versão Pure Gold é uma evolução da sem glúten. Ela mantém a característica gluten-free mas reduz as calorias em 17%. Isso é alcançado através de um controle rigoroso da fermentação, onde os açúcares são consumidos de forma mais eficiente, resultando em uma cerveja mais seca e leve.
Comparativo: Stella vs. Concorrentes
A dúvida é eterna: Stella, Heineken ou a recém-chegada Spaten? Vamos aos dados técnicos.
| Característica | Stella Artois | Heineken | Spaten |
|---|---|---|---|
| Estilo | Premium American Lager | Premium American Lager | Munich Helles |
| Amargor (IBU) | ~16-20 (Médio) | ~19-23 (Médio-Alto) | ~16 (Médio-Baixo) |
| Teor Alcoólico (ABV) | 5.0% | 5.0% | 5.2% |
| Perfil de Sabor | Floral, herbal, equilibrado | Frutado, amargor persistente | Maltado, pão, final doce |
| Ingrediente Chave | Lúpulo Saaz | Levedura A | Malte Munich |
Harmonização gastronômica: o que comer com Stella
Por ser uma cerveja de alta carbonatação e amargor limpo, a Stella Artois é um “coringa” na harmonização. Ela funciona por corte (limpando a gordura) ou por semelhança (com notas herbais).
- Frutos do mar: A escolha clássica. Camarão alho e óleo, lulas à dorê ou um ceviche peruano. As notas florais do lúpulo Saaz realçam o sabor do mar sem atropelar a delicadeza do prato.
- Queijos: Evite queijos muito fortes como Gorgonzola. Prefira Brie, Gouda ou um queijo de cabra fresco.
- Frituras: A carbonatação da Stella corta a gordura de coxinhas, bolinhos de bacalhau e batatas fritas, preparando a boca para a próxima mordida.
- Churrasco: Embora muitos prefiram cervejas mais fortes, a Stella vai bem com cortes de gordura média, como maminha ou fraldinha, servindo como um palate cleanser entre os pedaços.

Formatos disponíveis e dicas de compra
Ao chegar no mercado, você encontrará diversas opções. Entender o custo-benefício de cada uma é essencial para o seu bolso.
- Long Neck (330ml): A mais comum em festas. Ideal para consumo rápido antes de esquentar. A versão Pure Gold é encontrada predominantemente neste formato.
- Lata (269ml / 350ml / 473ml): A lata protege 100% contra a luz, eliminando o risco de light struck. Se o sabor é sua prioridade máxima e você não tem o cálice, a lata é tecnicamente superior à garrafa verde.
- Garrafa 600ml: O clássico formato de bar brasileiro. Melhor custo-benefício por litro.
- Pack Stella: Geralmente vendido em unidades de 6 ou 12 long necks ou latas. Fique atento às promoções de packs de 8 unidades (famoso “leve 8 pague 6”) que são comuns em grandes varejistas.
Erros comuns que você deve evitar
Mesmo uma cerveja belga premium pode ter gosto ruim se maltratada. Evite:
- Servir “estupidamente gelada”: Se a cerveja estiver abaixo de 0ºC, suas papilas gustativas adormecem. Você perde o aroma do lúpulo Saaz. A temperatura ideal é entre 2ºC e 4ºC.
- Beber direto da garrafa: 70% do sabor é olfato. Ao beber no bico, você bloqueia o aroma. Use sempre um copo, preferencialmente o cálice de boca fechada que concentra os aromas.
- Armazenar na porta da geladeira: A vibração e a variação de temperatura ao abrir/fechar a porta degradam a cerveja. Guarde nas prateleiras internas ou na cervejeira.
Glossário de termos cervejeiros
- Lager
- Família de cervejas de baixa fermentação, que fermentam em temperaturas mais frias. Resulta em bebidas mais límpidas e refrescantes.
- IBU (International Bitterness Units)
- Escala que mede o amargor da cerveja. Quanto maior o número, mais amarga.
- Light Struck
- Reação química causada pela luz ultravioleta em contato com o lúpulo, gerando aroma similar ao de gambá. Comum em garrafas verdes ou transparentes.
- Drinkability
- Termo usado para definir o quão fácil e agradável é beber uma cerveja em quantidade, sem enjoar.
Perguntas frequentes (FAQ)
O que é Stella Artois?
Stella Artois é uma cerveja do estilo Premium American Lager (originalmente Pilsner) de origem belga, criada em 1366. É conhecida pelo uso de lúpulo nobre Saaz, coloração dourada e sabor equilibrado entre malte e amargor.
A Stella Artois vendida no Brasil é importada?
Não, a maior parte da Stella consumida no Brasil é produzida localmente pelas fábricas da Ambev. No entanto, amostras da produção brasileira são enviadas mensalmente para a Bélgica para análise técnica e aprovação sensorial, garantindo que o sabor seja idêntico ao original.
Qual a diferença da Stella Pure Gold?
A Stella Pure Gold tem 17% menos calorias e é sem glúten. Ela passa por um processo enzimático que quebra o glúten e possui um perfil ligeiramente mais seco e leve que a versão tradicional, mantendo o teor alcoólico de 4.3% (contra 5% da regular).
Stella Artois tem milho?
Não, a Stella Artois no Brasil é Puro Malte. Seus ingredientes são apenas água, malte de cevada e lúpulo. A receita brasileira não utiliza cereais não maltados como milho ou arroz.
Por que a garrafa da Stella é verde?
Tradição e marketing. Historicamente, após a Segunda Guerra, havia escassez de vidro marrom, forçando o uso do verde para cervejas premium exportadas. Isso se tornou um símbolo de status, apesar de o vidro verde proteger menos contra a luz do que o marrom.

Conclusão
A cerveja Stella Artois conseguiu um feito raro: massificar uma experiência premium sem perder completamente sua alma histórica.
Seja pela persistência em usar o lúpulo Saaz, seja pela inovação da versão sem glúten que atende a novos públicos, ela se mantém relevante após seis séculos.
Da próxima vez que abrir uma garrafa verde, lembre-se: não beba no bico. Pegue um cálice, faça o ritual (ou pelo menos tente) e aprecie o trabalho de gerações de mestres cervejeiros que transformaram água, malte e lúpulo em uma estrela global. Saúde!